
Naquela parte da antiga Praia de Santo Antônio, o referido areal enchia a paisagem, separando a rua por onde os automóveis trafegam e a linha onde as ondas quebram, compondo uma área geralmente muito curtida pela população pessoense. Ali conviviam banhistas, coqueiros, pescadores, jangadas e barcos da icônica e histórica colônia de pescadores da principal e mais famosa praia pessoense.
No entanto, para infortúnio da beleza natural e do bem-estar de pescadores e banhistas, o Estado paraibano achou de desbancar o areal, ocupando-o com um imenso prédio destinado a um hotel. Segundo os idealizadores acreditavam, a iniciativa finalmente impulsionaria o turismo pessoense.
Como o Brasil atravessava uma época ditatorial, onde o poder da União e dos governos estaduais era praticamente absoluto, as vozes dissonantes da sociedade foram abafadas, e o projeto se impôs até seus recentes desaguisados, à espera de um desfecho.
Dê no que der, o Hotel Tambaú é, na verdade, um projeto mal engendrado e, portanto, dissonante de tudo o que se pregava e ainda se prega em termos de turismo sustentável, como princípio para a garantia de que ele (o desenvolvimento do turismo) seja efetivo e duradouro.
O resultado é que a praia de Tambaú restou desprovida de parte da sua natureza original, talvez para sempre.
(Imagens da beira-mar de Tambaú antes e depois de construído o hotel, em fotos feitas pela então SUPLAN-Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento da Paraíba)
